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domingo, 5 de abril de 2020

Monstro Amor


É o monstro amor, esse que você foge. Mostro o monstro amor, demonstro e você corre.

Esse que rima com terror, que de pavor você morre. Mas quando ele se for, peço que não chore.

Te assusta esse amor, mas não se apavore. E ainda que traga dor, espero que não ignore.

Não tem sexo, não tem cor, nem doutrina que reprove. Resistente ao que se impor, não se funde, nem dissolve.

Não se rende o amor, nem à mira do revólver. E se o ódio se impor, mais o amor se desenvolve.

Demonstro o monstro Amor, mostro o que me move. É o que se tem de mais valor, se dá e se devolve.


quinta-feira, 2 de abril de 2020

cada trecho

cada sentimento um trecho
e cada trecho me rendia
me rendia o desfecho 
de uma nova poesia

e o que tem dentro expor
sem nenhum problema
de dentro pra fora compor
nos dedos um novo poema

me esvaziar num papel
me jorrar de escrever
mesmo fechado o tempo

com palavras abrir o céu 
te molhar de chover 
nos trechos de um sentimento


segunda-feira, 30 de março de 2020

"Qual vírus é o mais predominante, o do Corona ou o da ignorância?"

Estamos no final do 3° mês do início de 2020. E um vírus que começou a se proliferar na Ásia, no fim do ano passado, já se espalhou por todos os continentes, infectando milhares de pessoas. Países do mundo todo fecham suas fronteiras, se mobilizando pra conter o aumento do número de contaminações, declarando quarentena, isolamento total, fechando redes de ensino e shoppings, para que não hajam mais mortos nem superlotação nos hospitais. A população se divide entre os desesperados e os despreocupados. Os que esgotam remédios das farmácias e as prateleiras dos supermercados, sem necessidade do extremo, e os desacreditados dos surto que continuam suas vidas como se nada estivesse acontecendo, desobedecendo a quarentena.
A economia do país está abalada, e se antes já não estava boa, depois do surto, pior se prevê que fique. Enquanto o presidente nacional preocupado com o capital, que até pouco tempo estava com a suspeita do Covid-19, declara que a pandemia é só uma gripezinha, apoiando o fim do confinamento, estando mais preocupado com falidos do que com falecidos. E agora a questão é: "Qual vírus é o mais predominante, o do Corona ou o da ignorância?"





domingo, 22 de março de 2020

O Livro Roubado

Neste Marca-Texto, vou falar de um dos meus livros favoritos de poesia, "O livro roubado". Sem nenhuma apologia à este feito, venho eu aqui desabafar meu delito e o que este livro significou.

Era o início das aulas e a biblioteca acabara de abrir para os estudantes. Eu era novo no colégio e não sabia da existência da biblioteca, até precisar buscar os livros das matérias bimestrais lá. Quando me deparei com um mundo! Tinha livro de todo tipo de conteúdo, e para cada livro na prateleira, havia no mínimo outros cinco exemplares do mesmo.
Então perguntei para a Senhorinha que estava na recepção da biblioteca, o porquê de tantos livros sobrando. Ela então disse, que a direção do colégio tinha a expectativa de promover melhor a leitura entre os alunos, o que não estava tendo eficácia. Então continuei pelas prateleiras degustando cada título. Foi quando vi o livro "Na Trança do Tempo", da poetisa Lena Jesus Ponte.



E ali mesmo comecei ler aquele livro. E cada pedaço que eu lia, era como se eu me tornasse cada sensação natural ali descrita. Me identifiquei de forma que eu já tinha muito das escritas haicais, e não sabia. Achei uma injustiça os livros mofando e empoeirados, com uma escola cheia de alunos. Então perguntei se eu podia levar o livro para casa, ja que poucos pegavam pra ler. Ela disse que sim, porém eu teria de assinar meu nome e devolver num prazo de quatro dias.
Mas eu queria aquele livro para mim e não ia assinar meu nome pra ela saber que ele estava comigo. Quando notei que ela usava óculos de graus bem fortes, e tinha um dos olhos imóveis, de vidro (não lembro se era o direito ou o esquerdo). Então indiscretamente perguntei, com toda gentileza é claro, o que acontecera com sua visão. E ela começou a contar se distraindo enquanto tirava os óculos. Talvez eu tenha cometido ali, o meu pior pecado. Mas o motivo de eu não lembrar o que aconteceu para ela usar um olho de vidro, é que eu estava ocupado por trás do balcão, colocando o livro na minha mochila.


sexta-feira, 6 de março de 2020

Cordeiro em Pele de Lobo


Tanto o lobo vestiu lã, que o cordeiro aprendeu a caçar pra vestir pele e também estar no meio da manada imperceptível.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Orgulho de Si

Orgulho de si, é cabeça erguida. Não é nariz em pé, é ser dono da própria vida. Longe do que é soberba, é humildade até demasiada, e que de tanto pisada, de se submeter já cansada, resolveu usar a fé.
É somente postura, do bom caráter e conduta, na glória e na luta, que estiver por chegar. Ainda que superioridade pareça, não julgue nem desmereça, mas primeiro conheça, pra depois falar.




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Arcaica Opressão


Nos mesmos clichês de culpar o macho, também culpada é a fêmea de se relacionar com o que não é homem. Já que ser homem se mede em caráter e comer vagina ou tamanho de pau, não o torna mais homem nem superior.
Tal embuste que como peixe, pela boca logo morre dando os indícios de sua podridão interna. É coitado, pois sua é só uma das parcelas dessa culpa de uma sociedade machista entranhada. Só são os filhotes órfãos de uma doutrina arcaica de opressão ao mais frágil.
Dinheiro nenhum vale o hematoma,
Mulher que grita não é chorona,
Que todas as opressões venham à tona,
Antes que mais entrem em Coma.



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Caber


Nunca se diminua para caber, transborde-se de não se conter, é aí que está o seu poder, antes de outro, ame a você.


domingo, 9 de fevereiro de 2020

Foda, Moda

Tá na moda e eu não sou a moda. Sou a árvore desse galho que poda. Mais que só a carência, amor é a tendência e cafona é a vazia foda. Te oriente, sou decente, a maldade está na mente e eu não sei me insinuar. Não sou alma descarada, nem de santo tenho nada. Não me curvo ao deliberado, é só uma questão de palpite, ter o desejo ponderado, à tudo que tem um limite. Ainda sou orgânico, sei sentir e existir, mesmo que forçado ao mecânico, do padrão a se seguir.


sábado, 8 de fevereiro de 2020

Distante


Quando toda a pena vale, não é a distância que afasta, do contrário, é a que torna mais claro o caminho. E ainda que longo de ser percorrido, é nas resistências das extremidades, que se tem as certezas do que se quer e há aposta sem receio. Onde pra uns toda distância a visão turva, pra outros é o que ilumina nas estradas cada curva.





segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Poços de Amigos


Sempre preocupados em encher seus poços, mas nem um pouco dispostos a tratar as reservas que já possuem. Gastam seu tempo, cavando mais e mais poços, por mais estocar. O que não é problema quando não se tem o suficiente ou assistência necessária para todo o tratamento. E o receio da falta, faz esquecer do que já se tem, se entregando às toxinas, deixando poluir o que deveria ser límpido. Num desperdício e desvalor, preferindo quantidade de água, suja, do que a transparência cristalina.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Sente de Mentira


Sente de mentira, pois quer o mesmo abraço quando chegar.
Sente de mentira, por sempre ter quando precisar.
Sente de mentira, porque ninguém vai te buscar.
Sente de mentira, pra ter com quem se deitar.

Sente de mentira, pra ouvir sempre o que quer.
Sente de mentira, sempre que o frio vier.
Sente de mentira, e o que é de verdade não consegue ver.
Sente de mentira, porque se sentir de verdade vai doer.

Sente de mentira, para mesma porta se abrir.
Sente de mentira, pela necessidade se suprir.
Sente de mentira, e não sabe admitir.

Sente de mentira, nem precisa detector.
Sente de mentira, não conhece o amor.
Sente de mentira, o pior pecador.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Água Mole, Pedra Dura


Água mole em pedra dura, tanto bate até que cansa e segue a corrente. E tanto ela bateu, por ser mole. Antes fosse sagaz, entendendo a natureza dura, rude e imóvel da pedra, quando a própria natureza destinada é ao mar.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Black Blue Blood



O cabelo vai dizer, os olhos vão dizer, os traços vão dizer, mas se a pele não disser, a boca não tem o que dizer. É a pele que sente, é ela que não mente, antes ela fosse transparente, e por igual todos mostrar. Foi ela quem sofreu no açoite, de dia e de noite, cada rasgo, cada corte, resilientemente forte, toda ferida de morte, pelos séculos perpetuar. Quem sofre é o preto, nesse racismo em panfleto, e pra todo humor negro obsoleto, não há reposição cultural pra reparar. Que se cale o moreninho, nem se meta o escurinho, que aceita apelidinho, pra pele negra nomear. Muito é fácil advogar a causa, já ganha, injustiçada, por cada gota derramada, do nobre sangue negro ainda a pingar. Seja aqui ou aruanda, até dentro da umbanda, que se fechem as portas de wakanda, pra racista nenhum entrar.


domingo, 1 de dezembro de 2019

Parar de Chover


- Parar de Chover -

Vou deixar morrer
Aos poucos sem ar
Pra ver o que vai fazer
Ver o que vai falar

E parar de chover
Parar de regar
Pra ver se vai doer
Se vai se importar

Tá na sua mão
Se vai resgatar
O que vai fazer?

É teu o sim e o não
Vai tentar salvar
Ou deixar morrer?



domingo, 24 de novembro de 2019

Verde Transparente

E eu que vi o verde transparente, teimei de mergulhar, insisti que era lago. Tão tolo, morri no raso, por não saber nadar. Eram aqueles olhos, águas que eu não soube flutuar. Só quis ir à fundo, submergir naquele mundo, até o último segundo, de conseguir respirar. Mas tanto fôlego eu perdia, tanta água eu engolia, e maré que só subia, jogou meu corpo morto na praia vazia, aquele verde era mar.




quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mal-entendido



Nutrir que foi só ego ferido, fica melhor de ser digerido, todo esse tempo perdido e o que não foi correspondido, que certamente será esquecido, e tudo foi só um mal-entendido.



sábado, 19 de outubro de 2019

devagar












Como pude não perceber. O tal motivo de sempre me fazer partir, acabei por cometer. Desculpe por isso até, mas só agora que estando no mesmo papel, entendo que não são gaiolas os simples abraços. Não sei o que quer, mas sei o que não quer, e não são prisões nem nada que se assemelhe à isso, ainda que sejam em forma de excessivos afagos ou declarações. Eu que sempre fugi do que me tirasse o ar, lá estava eu sufocando quem me cativou. Desculpe por adiantar os passos me apressando, minhas certezas não me permitem paciência. Sempre andei muito rápido, passei a vida atrasado, correndo atrás do ônibus. Desde jovem tão preocupado em não perder tempo, e cheio do tempo, nunca tempo tive pra andar devagar.


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Ciência da Lei da Atração

[Marca-Texto]


Emanar, é algo que sempre faremos, em qualquer circunstância. Não pode haver positividade externa, se internamente algo de ruim está entre as suas vibrações. Um sinal se emite, logo outro se recebe. Somos antenas, tanto de envio, como de recepção. E o universo sempre por responder nossos desejos, como meros humanos, nem saber pedir sabemos. Sem as gratidões, sempre por insatisfações com tudo, e as desarmonias, fartos nos desgastes e desequilíbrio do humor, no maior dos casos, pendulando sempre pro lado negativo, emanando a vibração incorreta e trazendo mais daquilo do que não se quer. No pecado de focar sempre no que não se tem, atraindo para si mais do nada. O que te prende, é a mesma coisa que te liberta. Não se recebe somente por mérito, antes disso, que se liberem as palavras de vitórias antes das guerras, em harmonia antes do caos que nem chegou, e até detido pela sua reza à energia positiva, que não lhe permite monologar logo dando sua resposta.





"A Lei da Atração" Escrito por Michael J. Losier.


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pode Ficar Pra Você



Quê tu pensa que vim buscar? Utensílio, capital, objeto, dinheiro? Quero é o que tem valor, e não é nada palpável de por nos bolsos. Não quero o que está na estante, nem mesa ou prateleira, vim buscar o que está dentro dos olhos, na ponta da língua, na leveza do toque. Não vim buscar a roupa, nem calçado, nada de vestir, vim buscar o de preencher, de satisfazer de dentro pra fora, de arrebatar aqui e agora, o perecível toda hora.



Sobremesa Vingança



Bem sei que ela dá fome, e sua sede ela mata. Se é um prato que se come frio, bem é como uma sobremesa apetitosa que a boca se enche d'água. A barriga cheia indefere de toda adefagia, para essa gana não há satisfação. Contra o seu sabor ninguém pode falar, mas ao preço que se paga sim, pois quem a comete, faz colher por conta própria, derrubando também suas sementes, levando parte na colheita. Vingança, ela que nunca foi de meu feitio, tenho aversão por me igualar ao que erra, mas abertas serão as exceções, se a chance do acerto for dada e meu perdão for pisado, como um pão amassado do diabo. E estarão à seu critério as medidas, na conformidade de seus novos erros.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O Retrato

[Marca-Texto]



"O Retrato", é uma das introduções do livro "O Vencedor Está Só" e, escrito por Paulo Coelho, publicado em 2008. Nela, o autor fotografa, narrando sua época em que escreveu este livro.
Peço inclusive, antecipadamente perdão pelo pessimismo da seguinte afirmativa, já que nela se resumem meus comentários deste "Marca-Texto".
É somente um ponto de vista, um tanto óbvio e previsível, de que a época atual em que o autor resolveu fotografar, infelizmente não só é atual no nosso presente recente, como perdurará atual, por um grande período de tempo. E não são necessários grandes poderes para prever esse futuro corrompido, já que os fins justificam os meios, e os meios não estão nem nos meios dos decorreres, para que se cheguem os fins.
O livro foi publicado a mais de uma década, e todos estes sintomas só se agravaram. Que esta observação não seja como banho de água fria nas almas, mas que se aumentem as dosagens do que podemos mover em não só teorias, como práticas, não só militâncias, como manifestações, na persistência e indignação, sem cruzar os braços, nem dar de ombros a toda essa desordem.



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ervilhas


E assim vão, seguindo seus caminhos, perdendo seus tempos, tentando ser mais parecidos com os outros e sem competência, xerocando o comum. O seu deus é o padrão, ainda que diga que não, de longe dá para ver. Falecendo o verdadeiro ser, não deixando florescer, da forma que se deve. E o que viria a ser matéria-prima, é só diluição e mistura, corrompida e impura, da falsa figura, relutante a persistir. Sem si, rejeita o que de dentro vem, e o superficial mantém, sendo outra pessoa que não é ela mesma. Adulterada em ignorância, opinião não tem a própria, seu QI e tamanho cerebral já se nota, ao grão de ervilha similar.


Braços e Pernas



Uso o que tenho, preciso do que possuo ou posso alcançar. Nem me lembro do que podem me oferecer, e se lembro, trato logo de um improviso que substitua. Conheço bem a face da humildade e de saber precisar sim, é que minhas preferências tem sido pelos meus próprios joelhos se ralando na escalada. E esse fato não me isenta de dar a mão na boa vontade. Sei dar até o braço ao que careça, mas jamais os pés que me trouxeram até onde cheguei.




domingo, 4 de agosto de 2019

consequência


Objetivo não é o sexo na verdade, sexo é só a consequência. Que se estabeleça uma amizade, ponte maior que só carência.