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quinta-feira, 30 de junho de 2022

furo de bala



quanto vale uma vida?
será que vale tão pouco,
cabendo num buraco de bala?
ou está todo mundo louco
e não se pode fazer mais nada?

Verso por: Jaque Alenncar
Foto por: Thay @3ternize

sábado, 18 de junho de 2022

gelo


se o fogo da língua não ascende

o gelo do meu silêncio apaga


sal


só vai te dar o sal

quem comer do que

você vai temperar


contra-indicação

excesso de jogos na relação

exige fichas emocionais

apostas de sentimentos

prejudicando a conexão

natural da conquista

robotizando o coração

desorganizando o orgânico

transformando num sistema

completamente mecânico


sexta-feira, 17 de junho de 2022

vidro fumê

Eu não estou isento de cometer erros e se em mim foi projetada uma imagem imaculada, tal conceito não sou capaz de sustentar e infelizmente pré-notifico uma decepção. Mas posso garantir, honestidade e transparência, quiça até essa minha penitência, de sem a crítica consciência, deixar a alma sozinha falar.


cachorro morto

 fez o que fez

pra me chamar de vilão

fez por insensatez

não fez de coração


perdeu a vez

por pretensão

uma estupidez

no calor da emoção


entre estar certo e amar

escolheu a razão

seu vil conforto


prefere apontar

culpa por diversão

chuta cachorro morto


ele é ela

Vídeo e edição por: @3ternize

 Certa vez disseram que minhas reflexões tinham mais eu do que poesia. Então, me despi de mim me vestindo de poesia. Voei, Voei, e por onde eu fui, sendo somente poesia, me vi. Retornei ao solo, me despindo da poesia, me vestindo de mim. Pois quando eu sou eu, vejo poesia e quando sou poesia, me vejo. Eu estava nela e ela em mim, eramos duas matérias ocupando o mesmo espaço. Me ser é sentimento e sentimento é poesia, olhar pro outro é também me ver. E de tanto vestir e despir, eu já não sabia mais qual era minha roupa, dava no mesmo, tudo era a mesma coisa, os mesmos retalhos da mesma colcha. Tapei os ouvidos e parei de escrever com base em vãs opiniões, só pro universo abri meus portões, e me deu as conclusões, de que pelo caminho apontados pra mim, haverão mais dedos que olhar.


segunda-feira, 6 de junho de 2022

Fruturos - Tempos Amazônicos


 Nessa publicação, quero compartilhar um presente que ganhei da fotógrafa Ana Vieira, onde fui convidado à conhecer uma exposição maravilhosa no Museu do Amanhã, localizado na Praça Mauá, Centro do rio de janeiro. A exposição Fruturos - Tempos Amazônicos, traz a diversidade da riqueza florestal amazônica e a conscientização do que ainda temos dela, que dividida nos setores: tempos amazônicos; amazônia milenar; amazônia secular; amazônia acelerada; #somosamazonia e amazônias possíveis.

 Contudo, a conclusão é a de que tal riqueza acrescenta de forma essencial à nossa economia nacional(já que boa parte desta floresta está no Brasil), mas como o ser humano é ganancioso, sua ambição não se contenta com a suficiência que a mãe natureza dá e a afobação não tem permitido a paciência de colher os frutos dela, e de forma que a curto prazo, eles têm extraído de forma ilegal e nociva em curto prazo esses bens.

 Pudera eu ter um melhor dispositivo com bastante memória e qualidade de resolução para trazer um melhor material desta experiência fascinante que absorvi, mas é singelamente de coração que trago essa conexão com o que é sagrado e tem sido deturpado pelo homem por todos esses anos. Espero que sintam a energia que pude captar dessa exposição magnifica que já está nos 45 do 2° tempo e se encerra no dia 12/06.


 Nota da Fotógrafa:


 Registrar esse momento é ter a possibilidade de conduzir e construir uma experiência também em conjunto, pois todo conhecimento é cultura e precisa ser cultivada, assim como a consciência de que não é à toa que ensinamos aos nossos filhos a grandiosidade e a importância da "Mãe Natureza", preservando-a e respeitando os ensinamentos dos povos originários, que são de fato a essência Brasileira, os chamados Silva (assim como eu) que tem origem na palavra "Selva", você sabia? Pois assim os invasores "descobridores/colonizadores" passaram a identificar os verdadeiros moradores e donos das terras daqui. 

 O índio guerreiro e genuíno sul-americano virou assim apenas um "selvagem", que até hoje estão distantes culturalmente da "nação" que o Brasil se transformou. 

 Por fim, queria eu não precisar usar tantas aspas, mas infelizmente ainda creio que não sabemos da nossa verdadeira história e com quem devemos aprender e desenvolver a sabedoria necessária para cuidar das nossas riquezas.

 Trabalhos como essa exposição e tantas outras são como janelas de conhecimento, que nos permitem a reconexão com a essência do nosso país que merece ser transmitido e exibido em toda parte para que mais novos brasileiros conheçam o Brasil original, que existe muito antes de assim ser nomeado também.

- Ana Vieira -





  
  


segunda-feira, 30 de maio de 2022

terça-feira, 24 de maio de 2022

retrovisor


Graças a certos pesos na consciência, nos permitimos observar onde precisa melhoria. Só olhando pros nossos próprios atos, podemos trocar as nossas marchas, quando é subida, quando é descida ou quando é ré. Já que recuar quando necessário também é ação, sendo às vezes até a melhor estratégia em avenidas de muito movimento. Não é sobre culpas ou condenações impostas por outra(s) consciência(s), afim de que por via delas nos inferiorize, tirando a nossa razão, nem sobre se lastimar ou martirizar, mas sobre abrir um campo de visão, que permita antes de mudar o mundo, mudar à si. Pois não tem como saber o que é um acerto, sem antes errar, nem o que é erro, sem acertar, assim como a luz faz a sombra. Mas tem sido mais fácil olhar pro outro, na intenção de mudança ou imposição da própria verdade como absoluta, ignorando outras verdades sendo boa parte hipócrita, justificando os próprios defeitos como características a serem aceitas. Quando somente pelo retrovisor da própria consciência, enxergamos nós mesmos nossas infrações, não por rudes acusações dos pardais, que têm fiscalizado o que é bondade ou não, lançando suas multas por aí, mas pela forma correta de criar uma onda significativa que conduza à real mudança, pois mais eficaz que concelhos e críticas, é o bom exemplo.


quarta-feira, 18 de maio de 2022

ter palavra


palavras de sujeita mulher

recentemente tem valido muito mais

que muita palavra de homem


terça-feira, 17 de maio de 2022

ácidos



meus versos

não vão deixar

de serem ácidos

por corroerem

olhos sensíveis


remédio

se Deus é o remédio

em volta vai ter doente

então não crie

expectativa em cima

de religião ou sacerdotes

pois todos somos falhos


domingo, 8 de maio de 2022

Mamãe Querida


mãe nem sempre amamenta

mas toda dor ela aguenta

desde o romper da placenta

até quando pro mundo o filho vai


de tal missão não se isenta

nem nas horas de tormenta

é quem os medos afugenta

quando a noite cai


seja de sangue ou adoção

chia a panela de pressão

que nem sempre cozinha só feijão

assim como mãe também sabe ser pai


só dar a luz não nomeia mãe não

mãe mesmo gera no coração

a mais importante gestação

de onde o filho verdadeiramente sai


sábado, 7 de maio de 2022

7k


 Dizem que sete é o número da perfeição, só é uma pena eu não ser, e pudera ao menos parecer. Mas imperfeito ou não, até aqui eu cheguei, firme sempre, forte às vezes. Nem um pouco politicamente correto e não me surpreenderia qualquer dia um cancelamento por alguma fala ou ação. Já dizia Pitty "Eu sou uma contradição e foge da minha mão fazer com que tudo que eu digo faça algum sentido...", e é o que eu sou, uma contradição de constante mudança desde que eu nasci.

 Sou um bissexual cristão, um conservador depravado, um intelectual rebelde, um romântico safado, um gentleman favelado, o bom exemplo das ovelhas negras... Eu nunca tive um polo, "me ser" nunca foi um polo. Só o que sei é de onde eu venho e para onde eu vou, e o que mear isso, desconheço. Eu já queria falar sobre esse assunto "perfeição", e o número 7 foi a deixa para esclarecer algumas coisas sobre a personalidade de quem vos escreve aqui, e antes de qualquer outra projeção criada dessa imagem de quem aqui posta, quero desfragmentar toda a alusão do que sou.

 Sou suburbano da avenida suburbana, na zona morte do hell de janeiro, cidade maravilhosamente caótica. Nem sempre pago as passagens dos transportes públicos e dessa forma reavejo alguns trocados que me foram me roubados pelo governo. Às vezes eu picho algumas paredes com poesia, acho que tenho que compensar as siglas de facção criminosa já pichadas. Sou de bater boca com quem expõe naturalmente um pensamento preconceituoso e quadrado. Nem sempre eu sou um doce ou receptivamente bem humorado...

 E poderia eu aqui estar cavando a cova social do belo semideus que não ressuscitaria, como o verdadeiro Deus que veio à uns dois mil anos atrás em forma humana e assim fez, ou quem sabe, abrindo as portas do cancelamento e desmoronando toda a estrutura e caracterização de minha imagem aqui construída. Porém o 7 pra mim, não significa somente a simbologia da perfeição, como afirmou Pitágoras por volta de 500 a.c., mas também um portal de passagem do conhecido para o desconhecido. E é com toda honestidade que clamo o 8, mas jamais com maquiagens e mentiras, como costuma-se ver nas mídias sociais dos influencers consagrados. Pois eu mesmo, não passo de um mero mortal humano, que de sagrado não tem o sangue, mas sim o suor que tenho derramado pra levar minha diversidade poética e reflexiva nessa rede que vem sendo corrompida com egoísmos e futilidades.

 Gratidão aos 7k, que têm até aqui permitido tal arte passar por seu feed, alcançando a admiração e o toque em almas. Obrigracias!

sábado, 9 de abril de 2022

leitura dos jogos


 O jogo do sexo é fácil. Consiste só em querer, ocultando o que se quer dando apenas o entender, sem demonstrar a sede, usando a dualidade e o desafio pra chegar onde quer. Mas o jogo do amor é complexo. Não tem meio termo, nem deixa dúvidas. Ou perde, ou ganha, não tem muita estratégia ou subintenção, pede clareza, verbalização, decisão, declaração. Mas o que nem todo mundo entende, é que nenhum dos jogos são ilegais. Não é errado jogar, errado é trapacear e jogar sujo. Pois só quem aprendeu perdendo, sabe o que é um jogo e tem a escolha de apostar ou não, entendendo que é mais lícito arriscar alguma carta, antes de só ir chorando pra casa e compor mais uma poesia triste. Jogos aguçam a experiência, rendem texto e enriquecem o poema, a questão somente é jogar limpo e saber também perder. Então começa-se a entender, que a carta da escassez é maior que a carta da culpa, que a técnica das flores atrai as borboletas, que o desapego também gera valor, que friendzone também existe, que afeto demais sufoca, que silêncio é resposta e que vence o jogo quem joga com o naipe de "copas" e não com o de "paus".


quinta-feira, 31 de março de 2022

Tal Pele


a pele distrai, os olhares atrai
se insinua, conquista, seduz, trai
te leva, te trás, abraça e repele
cada uma seu próprio feromônio expele
a preta, a branca, a colorida
é forte, e sozinha cicatriza a ferida
no toque certo arrepia
nua não se espia
gera polêmica, dá audiência
vicia, causa dependência
ilude, excita, instiga
lambe, degusta, mastiga
é a sobremesa preferida
a iguaria mais vendida

quinta-feira, 24 de março de 2022

quarta-feira, 23 de março de 2022

Sorvete



 Tomar um sorvete
só ver-te
sem colete
nem capacete
desprotegido de arriscar

 Trocar uma ideia
sem plateia
esperando a estreia
do beijo rolar

Sem nenhuma pressão
ou talvez em outra ocasião
e eu já tenho o não
antes da boca falar.


terça-feira, 22 de março de 2022

Frasco



 amor não é o teor, é o recipiente

não é o conteúdo, mas o que contém


Conexões


agora vai esperar
ninguém mandou demorar
quem responde na velocidade
é quem tem prioridade

intensas relações
é a era da tecnologia
quantas as conexões
quase nenhuma sintonia

quem estamos valorizando?
se é acerto ou é cilada
gente toxica de plantão

tá sobrando e tá faltando
quanta gente acompanhada
quanto desafeto e solidão


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Poetteus


sou poetteus

poeta e matteus

às vezes semideus

sou theus, mas não seus

nunca fui um, sempre eus

imagem e semelhança de Deus

sei ser boas-novas e também adeus.


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Esquecemos

 As coisas ficam esquecidas, a gente espera o esquecimento.

Nos esquecemos de lembrar e só lembramos que esquecemos.