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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Engrenagem de Relógio

Não posso eu, frear a velocidade de uma juventude, nem aguentar o impacto dela. As estruturas do meu sentimento, são feitas de engrenagem de relógio e só o tempo pode dizer se suporto a espera. A vida é curta, ela é um sopro, e se não fores ventania, nem passe em minha janela. Bata suas asas, solte mais penas, mas não sei se a pena valerá, o aguardo do seu retorno. Será que vou estar quando aterrissar? Será que vou me permitir esperar? Será que vou querer te ver chegar? Será que terei a boa vontade de lhe anfitriar?


sábado, 21 de agosto de 2021

Mau Agouro


Querem a magia para derrubar,
Pouco é o uso para cura.
Boa parte quer ferir, destroçar,
Corações esses, cheios de amargura.

Por ódio ou vingança conduzidos,
Ou por não ter o que querem.
De nenhum pecado remidos,
Podem até atingir, mas à si também ferem.

Todo mau agouro,
Palavra leva, palavra traz,
Volta até a praga.

Volta pro couro,
E o mal que se faz,
É o mesmo que se paga.



quinta-feira, 12 de agosto de 2021

pobreza

Humildade e simplicidade não remetem à pobreza, muito pelo contrário, soberba e arrogância que remetem à pobreza, e espiritual. Pois mais que a beleza física, emana a beleza da energia.

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

4

 Tecnologia por aqui nunca foi o forte. Não tenho um celular de última geração (ainda), Meu desktop não é dos melhores (por enquanto), a verba para produção de conteúdo anda curta (até começarem os patrocínios), inclusive maior parte das vezes que houve pausa nas publicações, o motivo foi suporte. Porém o que nunca pausou por aqui, foi a inspiração, já que para essa conexão com o universo nunca precisou de tecnologia ou verba, somente papel e caneta. E ainda que haja algum silêncio nas redes, a alma estará gritando e se transladando em palavra, pois a todo tempo eu escrevo. Com a matéria-prima resiliência, sou apenas antena de recepção e emissão, usando as ferramentas possíveis ao meu alcance, já que, modéstia parte, os maiores pensadores e artistas da existência usavam o que tinham, sem a tecnologia moderna à seu favor, e isso não os impedia de criar os conteúdos que ecoam por milênios até atualmente. Ter ou não tecnologia, não importa tanto, quando eu tenho afeto, fidelidade e o prazer na arte de escrever, sendo remunerado ou não. O que importa mesmo, é cada alma que tenho a possibilidade de tocar, seja de quem chega e fica ou está só de passagem. Esse texto é um tanto tardio, pois esperei a estabilidade do número, mas já ultrapassamos os 4k de seguidores semideuses. E à todos vocês vai meu agradecimento. Gratidão à cada um que tem permitido tal arte em seu feed.

Obrigado por ser parte disso!

@POETTEUS


domingo, 1 de agosto de 2021

6


São seis anos. Não são seis dias, seis semanas, nem seis meses, são seis anos. Mais de meia década. E falo isso abismado, já que minhas formas de observar a vida, faziam sentido para outras vidas também. Devaneios, filosofias, desabafos no papel, criaram forças a ponto de jorrarem por si só, sem parar, até hoje, como uma fenda numa represa, vazando, ganhando força com cada espelho que lia e se refletia.
Ainda que antes desse para contar nos dedos os leitores(já que todos os escritos não saiam da gaveta e só alguns amigos tinham acesso), e hoje em dia eles serem centenas, claro que me surpreende o número, mas mais ainda a proporção do carinho, que se foi tomando, me importando muito mais com a qualidade do que com a quantidade, referindo-me não ao conteúdo, mas à cada alma que é tocada pela arte e devolve o toque ao artista. Um pagamento que substitui qualquer quantia em dinheiro, é o afeto.
Inclusive graças ao afeto, tudo aqui é criado, é essa ligação com o meu próximo que deve me trazer a empatia para escrever e a identificação do leitor com o texto. Ainda que as publicações não tenham uma programação horária de postagem, sempre soube dar as vírgulas necessárias mas nunca consenti com nenhum ponto final. Tivemos algumas pausas nesses seis anos, umas longas, outras curtas, por motivos de ferramentas, por motivos pessoais, a poesia me dando lucro ou não, mas por aqui ela nunca parou. Mesmo que algumas prioridades da vida exigissem mais do que as paixões, e o tempo e a dedicação sempre tivesse de ser dividido racionadamente, escrever e compartilhar nunca perdeu o seu espaço.
É a obrigação do artista, repassar o que o universo diz, uma missão, e ele inicia uma morte lenta se parar a arte. Não é fácil fazer da arte o ganha pão, é uma luta intermitente, e só guerreiro não para no meio do caminho, mantém a fé. Escrevo aqui, não aos 6 anos de conteúdo, mas aos seis anos de afeto até aqui. Obrigado aos irmãos que fiz no caminho, obrigado a quem somou desde a caneta, obrigado aos artistas que participaram disso somando com a própria arte, obrigado à quem inspirei e motivei, obrigado à essa família que é a poesia e o que ela tem proporcionado, obrigado.


sábado, 31 de julho de 2021

8


 Sou oito ou oitenta mesmo, se não gostou, soma pra ver que número vai dar. Antes de não se agradar de mim, antes me tenha feito algo de bom. Só não me subtraia, já que pelo caminho é só o que me tem equacionado. Que seja pouco, mas seja alguma coisa, eu também sei dividir. Não seja o que você tem no bolso, seja soma do que você tem por dentro, se é pouco, muito ou nada, faça as contas pra ver se vai acrescentar à alguém. Não precisa multiplicar, até por que só Jesus, mas só de não subtrair, a companhia já será de bom proveito, boa vontade está em falta.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Reconhecer


Quando se tem noção de alguma falha instintiva, tenta consertar ou aceita como característica? O que deve ser aceito é "diferença", porém não "defeitos", esses a gente concerta!
É quando se reconhece que não é tão bom, que se começa a melhorar. Se amar não é passar pano para defeitos, é se corrigir onde necessário.
Imperfeição não é desculpa, pois não é sobre se adequar à perfeição, mas fazer com que ela se adeque à nós de forma alcançável. Não falo de transformação remota, mas de evolução frequente.
Sou melhor quando sinto culpa sim, quando me arrependo, quando dou o braço a torcer em pedir um perdão. Quando o erro está ou não em evidência, quando pesa na minha consciência, quando eu ajo e não finjo demência.
Me torno um humano melhor a cada dia, não por "não errar", mas pelos próprios erros eu enxergar e "tentar consertar", quem sabe os minorar, sem deles fugir, nem ignorar.

segunda-feira, 5 de julho de 2021

7

 Um artista não se torna, ele nasce. Pois uma criança é só o futuro da nação, mas uma criança artista, ela é o futuro da humanidade. E quantas delas, deixaram de mudar o mundo por uma obstrução familiar? E quantas as que mudaram o mundo, por que tiveram apoio e giz de cera? É nos olhos do artista que um mundo menos pior se molda. Valorize a pintura de um quadro, assim como a do 7.


quarta-feira, 23 de junho de 2021

Solitude

 Muitos serão os que ajudarão a fugir do problema e dar a válvula de escape, mas quase nenhum escutará o problema, compreendendo e ajudando a resolvê-lo. Mas ninguém melhor que nós mesmos, para saber em verdade o que fazer, pois ninguém é professor de ninguém e cada um tem uma própria consciência.
 Em erro, muita das vezes, buscamos a valorização externa, vinda de terceiros, quando de fato a própria, deve anteceder qualquer outro valor, sem a precisão de alguém acompanhar ou necessariamente estar sempre ali. O boicote pode vir.
 Compartilhar as derrotas, vitórias e os próximos passos a serem dados, é uma escolha, mas contar primeiramente consigo mesmo, deve ser obrigação. Carências, indiferentemente do que elas sejam, podem autossabotar. Não falo de solidão, mas de solitude. Tem carreira melhor que a solo?


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Demaquilante


Maquiam a escravidão do brasileiro
Com mísero sistema de emprego
Mas pior que isso, é o desemprego.

Maquiam a ignorância do brasileiro
Com mísero sistema de educação
Mas pior que isso, é a cracolândia.

Maquiam a violência com o brasileiro
Com mísero sistema de segurança
Mas pior que isso, são os assassinatos.

Maquiam a fome do brasileiro
Com mísero auxílio emergencial
Mas pior que isso, é morar na rua.

Maquiam as doenças do brasileiro
Com mísero sistema de saúde
Mas pior que isso
É o índice de mortos com o Covid-19.


sábado, 15 de maio de 2021

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Melhor Versão


Não faça da sua rede social, a melhor versão de você mesmo, faça seja você mesmo, uma melhor versão que a da rede social


sábado, 17 de abril de 2021

Cálcio


Errar, muita das vezes, ensina mais que acertar. Um sentimento de culpa pelo erro, é mais eficaz ao aprendizado que uma congratulação pelo acerto.
A Recordação de um erro, lança ao coração o remoto déjà vu, prestes às repetições circunstanciais de impasse, resvalando ao correto a se fazer.
Quando a parabenização pelo acerto, lança ao coração substâncias de prazer, não acertando por obrigação e sim por estarem olhando, resvalando ao acerto somente por reconhecimento.
Quem ouve se precave, mas aprende mesmo é quem erra. Conselho ruim é dado, bom é o vendido. Conselhos não calcificam mais do que as quedas.


quarta-feira, 14 de abril de 2021

Se For de Verdade


não se pode perder
o que nunca foi seu
desapegue, não se apodere
priorize a mútua liberdade
gostar não é perseguir
deixe o caminho fluir
ciúme não é possessividade
se deixe prosseguir
algo novo e diferente sentir
nunca é demais tarde
deixar ir, partir
é também permitir
tornar a vir
se for de verdade


terça-feira, 16 de março de 2021

Pix

 


 Só pode nos ferir
quem permitimos. Nossos
sentimentos são como
o PIX, só tem acesso
à eles, quem entregamos
a chave.


terça-feira, 9 de março de 2021

Clariciando

[Marca-Texto]




Esse mês, eu já estava planejando publicar o Marca-Texto, inclusive porque esse ano ainda não havia sido publicado nenhum. E eu estava na cruel dúvida de qual livro eu abordaria, já que era o primeiro do ano.


Eu já havia feito minhas leituras, demarcado o que havia chamado minha atenção e necessário de compartilhar, separado os livros que supostamente eu publicaria e então começaria a produzir o formato da publicação.


Mas a duvida ainda me consumia, sobre qual deles eu falaria. Foi quando por coincidência, eu recebi um convite, da Poetisa Larissa Lorena, pruma homenagem ao centenário de Clarice Lispector.


Eu como já não creio em coincidência, na hora lembrei que "A Hora da Estrela", era um dos livros que eu havia separado para fazer a publicação do Marca-Texto. Então senti que era pra eu aceitar o convite, assim como conciliar minha participação no Clariciando (Homenagem ao centenário de Clarice.), ao Marca-Texto, dois coelhos com uma cajadada.


Na época em que li a "Hora da Estrela", me apaixonei pela autora. Inclusive foi o primeiro livro que li dela, meio surrado até, ou completamente, pois nem capa o coitado tem (risos). Eu não lembro bem de como ele chegou ao meu acervo (se eu lembrar prometo voltar aqui nas edições pra contar). Provavelmente algum dos livros que roubei (Como contei num dos últimos Marcas-Texto), ou algum amigo que trocou comigo, ou num dos que minha mãe mandou pra mim.


Lembro que quando o li, me chamou muita atenção mais de um trecho, aliás, o livro todo. Mas era como se em alguns trechos, ela estivesse como um fantasma mesmo, a ponto de me fazer arrepiar sua presença, nos meus ouvidos recitando, observando, descrevendo, me entendendo como nunca ninguém jamais havia feito. Ela explicou minha existência em apenas um trecho. Mas era um fantasma, não por já ter partido deste plano, mas era como um fantasma por parecer estar ali do meu lado no ônibus, me entendendo como escritor, e ninguém estar vendo.


No mesmo instante fiz orelha no livro (e não recomendo), demarcando a parte que eu sublinharia pra ler sempre que entrar em conflitos pessoais. Acredito que todo escritor (seja ele poeta, compositor, redator...), necessita ler Clarice Lispector, ou ao menos alguma das obras, pois além da riqueza de palavras, trás muita evolução e reflexão de si. Eu não posso dizer que substitua uma psicóloga ou psicanalista, mas lê-la, é uma tremenda terapia!


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias..."

"...ela era um acaso. Um feto jogado na lata de lixo embrulhado em um jornal. Há milhares como ela? Sim, e que são apenas um acaso. Pensando bem: quem não é um acaso na vida? Quanto  mim, só me livro de ser apensa um acaso porque escrevo, o que é um ato que é um fato. É quando entro em contato com forças interiores minhas, encontro através de mim o vosso Deus. Para que escrevo? E eu sei? Sei não. Sim, é verdade, às vezes também penso que eu não sou eu, pareço pertencer a uma galáxia longínqua de tão estranho que sou de mim. Sou eu? Espanto-me com o meu encontro..."



sexta-feira, 5 de março de 2021

Dizer Não































Quero agradecer pelo abandono
Sem ele eu não seria o meu dono
Nem do coração teria o trono
E meus sentimentos poder governar

Era eu quem me atava
Era eu quem me prendia
Pelo não, que eu não falava
Pelo não, que eu não dizia

Dizer não me libertava
Do oportunismo que perseguia
E que no fundo eu só prestava
Quando a tudo eu consentia

Mas pode ficar despreocupado
Que o verbo "pertencer" está conjugado
No indicativo imperfeito passado
Que não vai mais retornar



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Tal Arte


Só faça sua parte,
Os fins vêm sem avisar.
Valorizar é uma arte,
Do artista que sabe amar.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Sem Verbalizar

Um sentimento
Não precisa
Ser verbalizado
Para ser dito...

- SEM VERBALIZAR -

Não precisa ser dito uma só vez, nem ser repetido 500. O que se sente, deve ser dito mais em atos do que em palavras. Pois qual é a necessidade da convicção de um sentimento? Vai diferir na hora de ele ser entregue?
Se atos não bastarem, não se poderá reclamar das desilusões que acercarem. As verdadeiras boas intenções, não precisam inflar um ego para provarem existência, nem se verbalizarem para que sejam reais.
Mas ainda assim são ditas, em toque, olhar, e se a língua tiver que falar, que seja percorrendo o corpo, sem fronteiras, sem idioma, nem muito menos obrigação de se expressar dizendo.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

+ Arte de Rua


Mais Arte de Rua
Na vida minha e tua
Nessa luta que continua
E nem tão cedo vai parar

Mais Arte de Rua
Em disparo que efetua
Na corrupção que perpetua
E oportunismo a enraizar

Mais Arte de Rua
Para toda maldade crua
E toda vergonha nua
Que não se foge o olhar

Mais Arte de Rua
Para que o homem evolua
E à rua não polua
Com a mania de sujar

Mais Arte de Rua
No que é tóxico e atenua
E todo esse lixo se substitua
Pela forma correta de amar

Mais Arte de Rua
Força que não recua
Arte que conceitua
Tudo aquilo que tocar.



quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Ganja e Panca


Não confunda, Ganja com Panca
Uma é Verde, outra é Branca
Uma Liberta, outra te Tranca
Uma Alisa, outra Espanca
Uma é Pó, outra é Planta
Uma Grita, outra Canta
Uma é Profana, outra é Santa
Uma e Nariz, outra é Garganta
Uma tem Honra, outra Má Fama
Uma é Brisa, outra é Flama
Uma e Terra, outra é Lama
Uma é Neura, outra Desencana
Uma Retém, outra Emana
Uma Adoece, outra Sana.



domingo, 24 de janeiro de 2021

guarda-chuva



tanto tempo assim, já não sou de perder
nem desgasto mais meu coração
se um pingo é letra para quem sabe ler
uso guarda-chuva na tempestade de não

pouco tempo já é o bastante
para cuidar de algo bom que vier
só valoriza cada instante
quem sabe o que quer

terça-feira, 5 de janeiro de 2021