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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pode Ficar Pra Você

[Fragmentos]

Quê tu pensa que vem buscar? Utensílio, capital, objeto, dinheiro? Quero é o que tem valor, e não é nada palpável de por nos bolsos. Não quero o que está na estante, nem mesa ou prateleira, vim buscar o que está dentro dos olhos, na ponta da língua, no leve do toque. Não vim buscar a roupa, nem calçado, nada de vestir, vim buscar o de preencher, de satisfazer de dentro pra fora, de arrebatar aqui e agora, o perecível toda hora.



Sobremesa Vingança



Bem sei que ela dá fome, e sua sede ela mata. Se é um prato que se come frio, bem é como uma sobremesa apetitosa que a boca se enche d'água. A barriga cheia indefere de toda adefagia, para essa gana não há satisfação. Contra o seu sabor ninguém pode falar, mas ao preço que se paga sim, pois quem a comete, faz escolher por conta própria, derrubando também suas sementes, levando parte na colheita. Vingança, ela que nunca foi de meu feitio, tenho aversão por me igualar ao que erra, mas abertas serão as exceções, se a chance do acerto for dada e meu perdão for pesado, como um pão amassado do diabo. E estarão à seu critério as medidas, na conformidade de seus novos erros.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O Retrato

[Marca-Texto]



"O Retrato", é uma das introduções do livro "O Vencedor Está Só" e, escrito por Paulo Coelho, publicado em 2008. Nela, o autor fotografa, narrando sua época em que escreveu este livro.
Peço inclusive, antecipadamente perdão pelo pessimismo da seguinte afirmativa, já que nela se resumem meus comentários deste "Marca-Texto".
É somente um ponto de vista, um tanto óbvio e previsível, de que a época atual em que o autor resolveu fotografar, infelizmente não só é atual no nosso presente recente, como perdurará atual, por um grande período de tempo. E não são necessários grandes poderes para prever esse futuro corrompido, já que os fins justificam os meios, e os meios não estão nem nos meios dos decorreres, para que se cheguem os fins.
O livro foi publicado a mais de uma década, e todos estes sintomas só se agravaram. Que esta observação não seja como banho de água fria nas almas, mas que se aumentem as dosagens do que podemos mover em não só teorias, como práticas, não só militâncias, como manifestações, na persistência e indignação, sem cruzar os braços, nem dar de ombros a toda essa desordem.



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ervilhas


E assim vão, seguindo seus caminhos, perdendo seus tempos, tentando ser mais parecidos com os outros e sem competência, xerocando o comum. O seu Deus é o padrão, ainda que diga que não, de longe dá para ver. Falecendo o verdadeiro ser, não deixando florescer, da forma que se deve. E o que viria ser matéria-prima, é só diluição e mistura, corrompida e impura, da falsa figura, relutante a persistir. Sem si, rejeita o que dentro vem, e o superficial mantém, sendo outra pessoa que não é ela mesma. Adulterada em ignorância, opinião não tem a própria, seu QI já se nota, ao grão de ervilha similar.


Braços e Pernas

[Fragmentos]


Uso o que tenho, preciso do que possuo ou posso alcançar. Nem me lembro do que podem me oferecer, e se lembro, trato logo de um improviso que substitua. Conheço bem a face da humildade de saber pedir sim, é que minhas preferências tem sido pelos meus próprios joelhos se ralando na escalada. E esse fato não me isenta de dar a mão na boa vontade. Sei dar até o braço ao que carecer, mas jamais os pés que me trouxeram até onde cheguei.




domingo, 4 de agosto de 2019

Por Dentro


Quero é um pedaço desse teu pulsar, é o que há de mais apetitoso nesse teu corpo. Uma mordida arrancar, disso que faz latejar a veia do teu pescoço. Sim, me apetece esse sal que lhe transpira, marina e tempera, dando gosto à tua pele, mas isso não vai m'encher, nem satisfazer. Suas curvas são bandejas de degustar, porém teu interior é mesa de se empanzinar.
Minha gana é pelo que tem dentro da casca, que se come tudo junto. Faço questão de descascar cada gomo e camadas, até chegar no coração. Não disse que não há o tesão, só antes do prazer, dê o coração. Me excitam essas veias grossas dentre os músculos, mas só conduzem em verdade ao que satisfará do que é a minha fome.
Objetivo não é o sexo na verdade, sexo é só a consequência. Que se estabeleça uma amizade, ponte maior que só carência.
O coração é a verdadeira gula, de satisfazer e dar de comer à uma população. Mais que o pão, mais que o tesão. Indispensável na dispensa sim, é o coração.


Entreaberta

Como se já não bastasse a porta entreaberta, quer que eu a escancare para que entre. Conheces bem os trincos de meu orgulho, mas quer me ouvir chamar. Sabe o caminho e tem o endereço, não irei aumentar meu tom para que venha. Minha voz já é rouca de tanto um dia ter gritado e meus silêncios já falam mais alto que qualquer berro. Caso queira esperar algum chamado, aconselho se sentar. A fresta já ilumina o suficiente e nem as janelas precisei abrir. É só empurrar a porta se quiser vir, ainda está encostada, só tranque novamente quando entrar.




sábado, 3 de agosto de 2019

Gratitud

[Fragmentos]

Quê me cobras, se nada lhe pedi? E Ainda que houvesse pedido algo, deves antes já deixar estipulado, o preço que lhe deve ser pago. Não faça por mim, o que vai esperar algum retorno. Mas espere de mim retornar, o bem que fizer, sem a quem olhar.


Marca-Texto

[Estréia]

Marca-Texto é a page do Monóloguz, que reserva os textos e trechos mais importantes de um livro, numa leitura consecutiva em vídeos e fotos, trazendo os melhores escritores, com as melhores referências de livros atuais e avelhantados.


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Estancado

Algo que seja mais perecível que o amor?
Algo que seja mais digno de prestígio que o amor? Afinal, não é ele a matéria prima de todas as coisas? Mas quanta dor! Mas quanto sofrimento! Mas quanto sangue! Empatia mesmo é essa. A maior ponte de ligação do que é fronteira em cada um, o que se sente na alma. Torturas, estigmas, cicatrizes. Afinal, todas as nossas convergências não vêm das costuras de nossa carne? Guerras desnecessárias, uniões que se prevalecem. Não se fala só do sangue que jorrou, se conta como se estancou também cada gota.





Boca de Maldizer

Eita boca de maldizer
Sua semente podre a plantar
Sabendo ela que vai colher
O fruto de tudo o que semear

O mal que ela proferir
O mal que ela desejar
Pode até alguém ferir
Mas a cavalo irá voltar

Ferina, traíra, ingrata
Língua de discórdia
Lambe à floresta incendiar

Adoece, aleja, mata
Deus tende misericórdia
Do que ela espraguejar.


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Adeuses

[NOTAS]

Como já dizia o velho clichê "tudo é passageiro", nada que vivemos pode ser para sempre. Tanto momentos bons, como ruins, nada será eterno. Com exceção dos romances em livros ou filmes, mas ainda que desejemos e façamos o possível para que nossos romances sejam duradouros o suficiente, algo de força maior sempre há de interromper. E ainda que haja um "felizes para sempre", ele é "até que a morte os separe".

Esse notas não vem pra falar da dor ou tristeza do que é efêmero. Mas não seria o fato dos momentos não serem eternos, o que mais valoriza cada instante? Neste notas vamos falar do que é adeus, de cada fim, de cada suspiro de final. Seja o adeus rasteiro ou proposital. As despedidas pro sempre e pro até mais. As fugas e os lutos. Adeuses em suas variadas formas.

Ninho, foi uma das primeiras publicações do Monóloguz, se não a primeira. Ela fala de um adeus, digamos que Universal, exceto àqueles, é claro, que nunca compartilharam da benção de uma família. Este poema narra a despedida do lar para uma vida adulta independente, sem uma mãe com seus cuidados e diálogs. Fala da saudade e da superproteção de antes.

Um dos primeiros também é o Ingênua Idade. Fala de uma despedida de personalidade. Retrata as trocas de pele para resistência e a ingenuidade de confiar.

Quando eu Morrer, é o adeus praticamente mais forte. Pois trata da Morte particular e individual. Sem querer dar muito spoiler, mas é uma carta à quem fica, escrita nos momentos em que o eu lírico mais sentiu a morte. Aborda dores, perdões e o que for deixado aos seus.

Culpa, é o adeus de alguém farto. O adeus de alguém injustiçado, mas feliz e satisfeito com o fim. Esse poema é muito mais que uma praga ou maldição, é uma promessa.

Poema Fumado é um tanto cômico, pois não deveria ser este o nome da poesia. Só tem este nome, pelo fato de ter sido escrito em um guardanapo e o mesmo ter sido rasgado uma parte para smoking, como mostra a imagem do post. Mas Digamos que esse poema, é a postagem que mais personifica este Notas, pois narra o adeus em suas formas aleatórias, que no fim, torna-se tudo apenas fumaça, figurativa e literalmente.

Meu Ex-amor, Amor VegetandoAcordar do Lado e Resquícios, são relutantes fins, que por um fio se equilibraram antes dos últimos suspiros. São despedidas que perduram até serem consumadas. Isso as qualificam como piores adeuses, os que não querem ser dados.

Garrafa de Desapego, Pôr Fim, Tão Bem Lembrado, Como Esquecido, Amém e Logo Parto, do contrário das anteriores referências, estes exemplificam os melhores adeuses. Adeuses dados por quem retomou as redias, adeuses dados por quem se apartou do que mal fazia, adeuses ao que oprimia e não teve merecimento do amor recebido.


quarta-feira, 3 de julho de 2019



Saudações seguidores, visitantes, amigos... Saudações leitores!
Pra mim é uma honra tê-los aqui, fiéis à este tão simples blog, que por suas vezes se manteve, perante aleatórias crises.
Bom, já é meado do ano, e meio ciclo terrestre já se foi. Passaram tão rápido todos esses meses até aqui, que nem parece  que falta menos de um mês para o 4° aniversário do Monóloguz.
Parece que foi ontem mesmo, que o blog era só um projetinho simples de reunir em nuvem todos os escritos digitalizados. Hoje, graças às visualizações do público, tudo passou de um arquivo solto na rede, e se tornou o que é hoje. Um humilde e singelo blog, mas também um veículo de comunicação, que é capaz de propagar sentimento, em diversidade poética original, à quem aprecia e/ou necessita.
Obrigado a todos vocês que tornaram esses 4 anos do blog possíveis.
E a partir do próximo mês, o quarto ano do Monóloguz traz inúmeras novidades e bombas de post sequenciais. Inclusive, a estréia da nova Page do blog "Marca Texto", trazendo uma espécie de ao vivo, da leitura de um livro, com trechos e notas do leitor referente ao livro abordado. O 'Marca Texto' terá a diversidade de fotos, áudios, e a estréia de vídeos nos posts (formato de publicação ainda não adotado pelo blog).
Mas ainda esta semana, o Notas dá as caras. O próximo Notas reúne todos os "Adeuses" do Monóloguz, do começo até atualmente. Despedidas em suas diversas formas, que mais fatiam os pedaços dos fins.




quarta-feira, 19 de junho de 2019

Fútil e Manequim

[Fragmentos]

Há quem goste mesmo é das falsidades. Sorrisos e abraços, beijos no rosto e elogios forçados, antes de qualquer verdade que lhe doa. Há quem se aparte do que é bruto, sincero, do que não foi lapidado. Não sabendo lidar com a nudez da face, como se fossem grosserias as transparências, mantendo-se sempre perto do que é fútil e manequim.




Que Seja Pra Sempre

Que seja pra sempre
O calor dos abraços
O cintilar dos olhos
Simplicidade dos atos

Que seja pra sempre
Esse toque dos beijos
A sensatez ao raiar
Equilíbrio a repousar

Que seja pra sempre
A saudade fecunda
A sincronia das almas
O compasso estável

Que seja pra sempre
Que dure, que se torne
Que torna, que seja
Você e eu pra sempre.





Por: Wallace Oliveira