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domingo, 17 de novembro de 2019

Incerta Certeza

Não posso culpar tuas incertezas, se eu apenas as quis, mesmo incertas. Pensei que fosse capaz de manter aqui o sentimento, e talvez até eu fosse, se o encarcerasse, trancado para não sair mais, mas capaz eu não sou, é de forçar sentir o que por si só, não se manifestou.
Já prometi para mim, não me permitir querer, o que me tem pouco amor. É muito pouco caso com o que declaro, que quiçá até esse o erro, declarar cedo. Certezas, foi só o que tive, porém antes elas que os arrependimentos pelo que não transpareci ou tive medo de demonstrar, me dando todo.


quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Mal Entendido

[Fragmentos]

Nutrir que foi só meu ego ferido, fica melhor de ser digerido, todo o tempo sofrido, o que não foi correspondido, que certamente será esquecido, e tudo foi um mal entendido.



Liquid Paper

Não se volta no que se diz, no que se fala. Perdões são dados e erros são esquecidos, mas permanece o peso do quê dos lábios é proferido. Use suas vírgulas e até silêncio pra expressar, sem sensacionalizar, nem com a verdade faltar. Para que no mínimo não lhe fuja a razão, e ainda que ela lhe repletar, lembre que sinceridade não é só qualidade, mas é também agressão.
Palavra dita é espada, é flecha lançada, de não se olhar pra trás. É fio da navalha, é mira nivelada, na cabeça preparada, pro gatilho apertar. As escritas, facilmente se corrigem no liquid paper, duma folha são riscadas, mas as ditas são rajadas, à queima-roupa disparadas, num corpo ao meio rasgar.
Palavras escritas são apagadas, esquecidas, rabiscadas, dos cadernos ou diários, promissórias ou contrato, que eu quiser picotar. Mas para sempre ecoarão as ditas, ao que as assuma e ao que as omita, de bendição ou a maldita, sempre lembradas, nunca esquecidas, de não se permitir recuar.




sábado, 19 de outubro de 2019

Devagar














Como pude não perceber. O tal motivo de sempre me fazer partir, acabei por cometer. Desculpe por isso até, mas só agora que estando neste papel, entendo que não são gaiolas os simples abraços. Não sei o que quer, mas sei o que não quer, e não são prisões ou nada que se assemelhe à isso, ainda que sejam só afagos ou declarações. Eu que sempre fugi do que me tirasse o ar, lá estava eu sufocando quem me cativou. Desculpe por adiantar os passos e apressar, minhas certezas não me permitem paciência. Sempre andei muito rápido, passei a vida atrasado, correndo atrás do ônibus. Desde jovem tão preocupado, com não perder mais tempo, e cheio do tempo, nunca tempo tive, para andar devagar.




quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Litros

Tu nunca soube o que é ser do outro. Que se desse, pr'eu tratar e cada rasgo costurar, sem controlar a vida mais que sua. Achando tu, que se dar era se perder, não mais se achar, não mais ser seu, não mais voltar. Enquanto tudo se reteve, e cada gota de amor se conteve.
Os litros de suor transpirados nas fodas, não somavam o peso dos litros de lágrimas. E suportavelmente, se foi levada a situação, nas flexibilidades dos sentimentos do que sustentasse nos ombros.
Preço esse pago por quem mais amou da gangorra, se afundando, mas erguendo a outra extremidade. Não é sobre tirar a liberdade, nem sobre domínio ou propriedade, é sobre decidir pelo recíproco, quando já é demais tarde.




sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Dá e Passa

Me contendo na represa
Facilmente eu esqueceria
Me abster é fortaleza
Não mais sinto, quem diria

Aos desejos resistindo
Orgulho que dá e sobra
E os beijos substituindo
Estratégia de manobra

Madrugada traz vontade
Não nego sentir a falta
Saudade da nossa fumaça

Distância mede intensidade
Mas tempo só ressalta
Que saudade dá e passa.




Liquefeito

[Fragmentos]


Demora um pouquinho mas a ficha cai. Atitudes, palavras e até a ausência, somam nessa equação que mais é subtração. Relações sem a amizade, que é base, na maioria das vezes usada como corretivo, pros defeitos nítidos causados pelo tempo. Líquida e sem alguma solidez, se desfaz nessa chuva, a virtual, abstrata e literária amizade que nunca existiu em nenhum aspecto. Que o novo germine incorruptívelmente e à prova d'água!



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

A Ciência da Lei da Atração

[Marca-Texto]


Emanar, é algo que sempre faremos, em qualquer circunstância. Não pode haver positividade externa, se internamente algo de ruim está entre as suas vibrações. Um sinal se emite, logo outro se recebe. Somos antenas, tanto de envio, como de recepção. E o universo sempre por responder nossos desejos, como meros humanos, nem saber pedir sabemos. Sem as gratidões, sempre por insatisfações com tudo, e as desarmonias, fartos nos desgastes e desequilíbrio do humor, no maior dos casos, pendulando sempre pro lado negativo, emanando a vibração incorreta e trazendo mais daquilo do que não se quer. No pecado de focar sempre no que não se tem, atraindo para si mais do nada. O que te prende, é a mesma coisa que te liberta. Não se recebe somente por mérito, antes disso, que se liberem as palavras de vitórias antes das guerras, em harmonia antes do caos que nem chegou, e até detido pela sua reza à energia positiva, que não lhe permite monologar logo dando sua resposta.





"A Lei da Atração" Escrito por Michael J. Losier.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Librando em Crivos

Me resguardar pro que tem valor. Eu que tanto me derramei no que era fanfarra, e até que inofensivas elas se comparadas à  outras comuns, mas suficientemente cansativas, de me fazerem querer fogueira e colo. Não são os beijos que me vão amarrar, nem a forma de me fazer gozar que me afixará. Sim, tudo aquilo que me agradarem os ouvidos e olhos, já que tato e paladar são flexíveis à corrupção. Não que o que eu veja e ouça nunca fossem se dissimular, porém adultos comumente trabalham com palavras e atos. Sem romantizar, nem pouco caso dar, vou librando em crivos o que eu depositar. Que me resguardar não seja esforço, sim característica e eu nada perca. Que cada valor e seu mérito, só enriqueçam acrescentando, com o valor próprio já se tendo antes, além do dar ou receber, sem pisar no que são pérolas.



quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Persistência em se Atrair



As incompatibilidades se perpetuam, sem tantos porquês de uma insistência. Nos atritos, se foram as flexibilidades. E depois dos fins em reprises, só restaram divergências e gotas racionadas de compreensão. Fica caro manter, isso sim se compreende. Caro, não só em cédulas, mas em paciência e tempo. Numa fuga da solidão, como se ela fosse o algoz e não verdadeiramente o que trará a libertação. Vão os corpos por persistência em se atrair, não desatam cada caminho a seguir, dando culpa à carência e ao tal vazio que ninguém preenche. Vaga que ninguém se capacita a ocupar, e obrigam, forçam, os antigos caminhos a se cruzar.



quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Pode Ficar Pra Você

[Fragmentos]

Quê tu pensa que vem buscar? Utensílio, capital, objeto, dinheiro? Quero é o que tem valor, e não é nada palpável de por nos bolsos. Não quero o que está na estante, nem mesa ou prateleira, vim buscar o que está dentro dos olhos, na ponta da língua, no leve do toque. Não vim buscar a roupa, nem calçado, nada de vestir, vim buscar o de preencher, de satisfazer de dentro pra fora, de arrebatar aqui e agora, o perecível toda hora.



Sobremesa Vingança



Bem sei que ela dá fome, e sua sede ela mata. Se é um prato que se come frio, bem é como uma sobremesa apetitosa que a boca se enche d'água. A barriga cheia indefere de toda adefagia, para essa gana não há satisfação. Contra o seu sabor ninguém pode falar, mas ao preço que se paga sim, pois quem a comete, faz colher por conta própria, derrubando também suas sementes, levando parte na colheita. Vingança, ela que nunca foi de meu feitio, tenho aversão por me igualar ao que erra, mas abertas serão as exceções, se a chance do acerto for dada e meu perdão for pisado, como um pão amassado do diabo. E estarão à seu critério as medidas, na conformidade de seus novos erros.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O Retrato

[Marca-Texto]



"O Retrato", é uma das introduções do livro "O Vencedor Está Só" e, escrito por Paulo Coelho, publicado em 2008. Nela, o autor fotografa, narrando sua época em que escreveu este livro.
Peço inclusive, antecipadamente perdão pelo pessimismo da seguinte afirmativa, já que nela se resumem meus comentários deste "Marca-Texto".
É somente um ponto de vista, um tanto óbvio e previsível, de que a época atual em que o autor resolveu fotografar, infelizmente não só é atual no nosso presente recente, como perdurará atual, por um grande período de tempo. E não são necessários grandes poderes para prever esse futuro corrompido, já que os fins justificam os meios, e os meios não estão nem nos meios dos decorreres, para que se cheguem os fins.
O livro foi publicado a mais de uma década, e todos estes sintomas só se agravaram. Que esta observação não seja como banho de água fria nas almas, mas que se aumentem as dosagens do que podemos mover em não só teorias, como práticas, não só militâncias, como manifestações, na persistência e indignação, sem cruzar os braços, nem dar de ombros a toda essa desordem.



quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ervilhas


E assim vão, seguindo seus caminhos, perdendo seus tempos, tentando ser mais parecidos com os outros e sem competência, xerocando o comum. O seu Deus é o padrão, ainda que diga que não, de longe dá para ver. Falecendo o verdadeiro ser, não deixando florescer, da forma que se deve. E o que viria ser matéria-prima, é só diluição e mistura, corrompida e impura, da falsa figura, relutante a persistir. Sem si, rejeita o que dentro vem, e o superficial mantém, sendo outra pessoa que não é ela mesma. Adulterada em ignorância, opinião não tem a própria, seu QI já se nota, ao grão de ervilha similar.