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domingo, 2 de setembro de 2018

Calada |Parte 2|

2/3


Eu poderia tirar fotos nossas e mandar pr'aquela. Numa ligação contar quem eu era. Até mesmo fazer uma surpresa no dia em que fosse visitá-la. Daí ele ficaria só mesmo e sem a quem recorrer, me chamaria então para desabafar, usar os ombros, colo e o que mais precisasse. Mas eu não seria capaz de magoar quem amo, ferir o coração de quem me fere sem propósito. Já que eu quem quis ficar, eu quem suporte!

E serei forte, uso as armas boas, não de muito pronto resultado, mas que não deixarão que pese minha consciência e abrirão eficazmente meu espaço no coração. Tenho pouco mais de um terço dele, pouco mais que um terço da casa e se aquela fosse mais significante, teria as totais porcentagens em seu domínio. Por isso tal esperança permanece acesa.

Me restam os terços, das terças às quintas, e aproveitando sua ausência do fim de semana, chamei o frete, trouxe as coisas. Nosso lar no fim era o mesmo um do outro. Muita coisa evoluiu após, mas algo ainda fedia naquela Dinamarca. Consultei o que eu ainda tinha acesso e tirei a prova dos nove. Eles reatavam, e eu atada, calada, nada podendo fazer, ainda assim era nociva, uma kryptonita ameaçadora pr'aquela relação.

CONTINUA...


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Sem Nome Pro Que Sou

Ah se Deus nos desse opções. Se me questionasse entre morrer cedo ou viver mais e enterrar um filho, escolheria já ter partido. Mas sem nos caber escolher, o destino por si só quem dá as cartas.
Senhor coveiro tome este trocado para o lanche, mas mantenha limpo este jazigo, cuide destas flores, pois voltarei em rotina para regá-las.


Segue o curso da vida e eu tenho outros filhos. E orgulhando-me ou não, enterro este meu pedaço que um dia esteve em meu ventre.
Desmembrada, mutilada, isso sim me define, a terra come a minha paz. Que um dia já perdida no balanço de um berço ou nas adolescentes madrugadas que pra casa não voltou mais.
Em meus braços o olho abriu, em meus braços o olho fechou. E se eu quem fosse ele seria órfão, mas se é o contrário, Sem Nome Pro Que Sou.



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Novo Céu


Interesse, eu tinha sim. No que você pode me proporcionar, aquele bom sentimento que não se sentia à tempos. Suas mãos que me abriram as celas e não as que me prenderam. Apesar de não mereceres e receber tanto valor, já que tudo isso estava em mim, mas méritos sejam dados. Independendo de seus lábios mentirem ou não, foram neles que cri quando me acordaram do pesadelo. E ainda que tão cegamente, permiti ali que me conduzisse, m'instruísse pra fora do abismo.


Interesse sim, não no que tinhas, mas no que continha, nos olhos, mesmo que mentiras, ainda que ilusões, aquela esperança de um novo céu era o que motivava e causava dentro aquela combustão. Ingênuo não considero, porém esperto em mais uma vez sim, tropeçar no escuro. Precisei da carona e ignorei o que poderia vir a ser só engano. Ainda que eu caísse n'outro abismo, era o medo de cair no mesmo, em queda infinita...


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Calada |Parte1|

1/3

Ele não me mentiu. Foi honesto com toda a situação. Mas eu amei, e prevalecia ali. Ainda que todo esse amor não fosse todo meu, me sobravam alguns pedaços pra janta.

Por amor eu paguei mensalmente cada parcela de culpa. Por amor permaneci, pois meu olhar não escapava do que de fato ele precisava. Por amor supri todas as brechas que aquela deixava.


Eu era omitida, abafada, silenciada, sorrindo calada. Só amei e ali fiquei, me bastavam as palavras de esperança n'outro destino a prometer. Cria sem os pés no chão, pois finalmente dispertara algo que hibernava.

Não dei ouvidos aos conselhos e apesar de boa parte de meus anos já terem se passado, além dos dele também e até menos juventude lhe cabia, não me importei com o tempo que passava. Fiquei e me prometi lutar, e à minha disposição eu tinha todos tipos de armas. Quais eu usaria?

CONTINUA...


sábado, 4 de agosto de 2018

Dores São Tatuagens

Se tá doendo, é para doer. Não fugir, esquecer do que causou a dor. A fuga disso não pode ser uma opção, esgote essa dor, use-a à seu favor até que se acabe. Não que haja prazer, ou até talvez sim, porém a magia do aprendizado com lado amargo dessa alma. Pause o tempo sinta no âmago, pra que não se esqueça quando cair.
Quiçá note que não são tão danosas e fortaleçam. Não as anestesie. Dores são tatuagens que se têm de se sentir pra que as marcas fiquem. Tanto belos contornos em cores de liberdade, como rabiscos e borrões feitos em seus cárceres e prisões. Tornando sua imagem rude, temida, ou cobrindo sua cicatriz exposta, antiga. Dores são tatuagens.







quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Poros

A pele que atrai. É ela quem distrai.
Paira o sol, na leveza a toca, em suor a gota cai
Aquece, apetece, enrijece, contrai
Seduz, castiga, instiga, te trai
Mastiga, degusta, arrepia, aguça
Te leva, te trás, abraça e repele
Feromônio expele, nua pele a esquentar
Sente leve a brisa, que acaricia
Também o simples olhar nela a repousar
Escama, caleja e impermeabiliza
Seca, desidrata, racha em aridez
Não a fira, é forte, cicatriza a ferida
Branca, Preta, Sacrificada ou Vendida.

  

O Mistério de uma Aura


Lo que cautiva es la pureza, no la
virginidad en sí, pero la inocencia
de una ingenuidad, aunque
destilada, pero en la dulzura de
repeliendo la malicia, aunque
también en ella en sí ha sido contenida,
pero omitida y revertida para
que sólo se utilize para identificar
las mazelas de malas miradas. 
Cautiva de hecho, el misterio
de un aura, ni declarada negra o
quizá límpida. En realidad encanta en
sí, su misterio. Sin marketing. Y
como sirena a invitar que se sumerja. 

Imagem - Pedro Goldanni


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

3 Anos de M o n ó l o g u z



Nudez da poesia? Tanto em pranto, quanto em conto.
Tanto a minha, quanto a dele, e logo você 
se identificando Também a sua. À flor dessa pele
em arrepio, tão nua, quanto crua.
Tão exposta, como entrelinhada.
Tão espiada, quanto bem explícita.
E a 3 anos esta janela prevalece aberta,
Pr'um horizonte direcionado à arte do monologar
Sem distúrbio ou loucura, já que os melhores diálogos
São consigo mesmo. E nessa arte expressa,
O que se ecoa é a simples poesia na fuga pro eterno,
Longe do tão simplesmente mundo terreno e presente.
Pr'onde o espírito flutua, leve e puro, adentrando
Portas inimagináveis, negras ou radiantes,
Apenas com os olhos. e nisto consiste a Diversidade poética aqui.
Aos trancos e barrancos, com pausas ou sequências de poesia,
Pelo computador ou smartphone, da lan house ou do vizinho,
Segue o Monóloguz! Fiel ao público, sem abandono,
Imprimindo cultura, poesia, contos e alguns até eróticos,
Mas acima de tudo compartilhando toda essa
Diversidade poética original. Aqui, óbvio que pedaços de mim,
Já que flui por meus dedos em lápiz ou teclado,
Mas também fragmentos do que é ser humano e sentir.


Breve, sequências e maratona de Monologia em poesia nessa temporada de aniversário, ENTRE!


Foto Por: 3ternize / Thay


PARABÉNS AO BLOG LEONINO! E À VOCÊ QUE
COM SUA VISITA PRESTIGIA E MANTÉM O ESPÍRITO
E O FÔLEGO DE VIDA DO MONÓLOGUZ!

Boa leitura...


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Tão Bem Lembrado Como Esquecido

O amor que há, é pela sua alma e pelo que ela me proporcionou sentir. Pensa que não me dói, eu não mais m'enxergar do seu lado no caminho. Que não me dói ver ir pro ar toda aquela concreta ilusão, que eu podia tocar.
Foi tão completo como vazio, tão intenso como retardado, tão concentrado como diluído, tão bem lembrado como esquecido. Só sei que mais pra frente não sei. Porque à mim o amanhã talvez não pertença, mas à nós, sei que não.

Foto por: 3ternize / Srta_Thay

terça-feira, 3 de julho de 2018

-Se Esfria ou Apimenta?-


🔞[POESIA ERÓTICA]

|Parte 2|

Ela parecia ter aceitado
O fato de eu ter brochado.
Isso nunca tinha me acontecido
Mas ela me pegou disprevinido.

Tomei um banho, pus o pijama
Apaguei a luz e deitei na cama.
Por um tempo fiquei acordado
Esperando que deitasse do meu lado.

Ela não veio e acabei adormecendo
Mas me acordou sentando na minha cara.
O fôlego eu já estava perdendo
Logo entendi que era outra tara.


Ela melava tesão puro
Mais quente que uma fogueira.
Desta vez deixando meu pau duro
Vestida de enfermeira.

Engolia tudo, se engasgava
Gemia como uma louca.
Enquanto seu grelo latejava
Derretendo na minha boca.

Não fodíamos assim à meses
Minha melhor ereção.
Papai e mamãe agora só às vezes
De fato ela apimentou a relação.


- Anônimo -

domingo, 10 de junho de 2018

A fogueira, o chá e o cachecol


Não sei se é isso que quero,
preciso de distância pra enxergar,
de tempo pra decidir. Perto demais
pra ver as diferenças, muito às
pressas pra escolher. Preciso ver o
horizonte, sentir um pouco o vento
em meu rosto, você me faz suar. já,
já é inverno e o final do outono que
o antecede já castiga, mas preciso dele
para pensar. E se não for pra ser, que
me bastem a fogueira, o chá e o cachecol.


segunda-feira, 4 de junho de 2018

Droga Velada

Foto por - @3ternize / @Srta_Thay

Droga é o açúcar
Droga é o café
Droga é o que se escuta
Droga é o que a sociedade é.

Droga é o governo e essa mídia
Droga na internet e na TV
Droga é a segurança e nossa polícia
Droga em tudo que se vê.

Droga demais legalizada, injetada
Grande quantidade, droga pesada
E todo o tipo de fanatismo.

Carga nova, droga é o preconceito
Droga é o que os presidentes têm feito
E todo o falso moralismo.

domingo, 27 de maio de 2018

O Valor da Alma Barata

Quanto tempo levará pr'essa mágoa caducar?

E a guerra entre gratidão e orgulho, seu silêncio e o barulho, de um perdão a estardalhar.
Um conflito das somas com os prejuízos, dos momentos e dos erros, que vieram a ecoar.

Sua alma valia o veneno e quem o lhe servisse te tinha em mãos, submetido, rendido, vendido, vulnerável capacho.
Mas neguei servir-te a toxina e montei banquete de rainha com trono em meus governos.

Por ter sua alma paguei o preço, que não tive condições de arcar. E em parcelas de anos sem juros, dividi pro débito quitar.

Quanto tempo levará pr'essa dívida caducar?









-Se Esfria ou Apimenta?-

🔞[POESIA ERÓTICA]

Eu sentia que estava na mesmice,
Precisávamos de algo diferente.
Traição seria uma tolice,
Então pensei algo que apimente.

O casamento estava frio,
E o sexo não me saciava.
Eu ia dormir no cio,
Sabendo que alguma coisa faltava.

Pensei em algumas coisas,
Mas não sei se ele aceitaria.
Fazer novas escolhas,
E uma delas ser putaria.


Eu sei que isso o assustaria,
Mas vesti aquela fantasia.
Disse que se não usasse os brinquedos,
Eu seria obrigada a usar meus dedos.

De policial eu o algemei,
Na janela da sala e ajoelhei.
Mas não tinha me preparado,
Pro caso de ele ter brochado.

CONTINUA...
-Anônimo-