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domingo, 2 de setembro de 2018

Calada |Parte 2|

2/3


Eu poderia tirar fotos nossas e mandar pr'aquela. Numa ligação contar quem eu era. Até mesmo fazer uma surpresa no dia em que fosse visitá-la. Daí ele ficaria só mesmo e sem a quem recorrer, me chamaria então para desabafar, usar os ombros, colo e o que mais precisasse. Mas eu não seria capaz de magoar quem amo, ferir o coração de quem me fere sem propósito. Já que eu quem quis ficar, eu quem suporte!

E serei forte, uso as armas boas, não de muito pronto resultado, mas que não deixarão que pese minha consciência e abrirão eficazmente meu espaço no coração. Tenho pouco mais de um terço dele, pouco mais que um terço da casa e se aquela fosse mais significante, teria as totais porcentagens em seu domínio. Por isso tal esperança permanece acesa.

Me restam os terços, das terças às quintas, e aproveitando sua ausência do fim de semana, chamei o frete, trouxe as coisas. Nosso lar no fim era o mesmo um do outro. Muita coisa evoluiu após, mas algo ainda fedia naquela Dinamarca. Consultei o que eu ainda tinha acesso e tirei a prova dos nove. Eles reatavam, e eu atada, calada, nada podendo fazer, ainda assim era nociva, uma kryptonita ameaçadora pr'aquela relação.

CONTINUA...


sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Sem Nome Pro Que Sou

Ah se Deus nos desse opções. Se me questionasse entre morrer cedo ou viver mais e enterrar um filho, escolheria já ter partido. Mas sem nos caber escolher, o destino por si só quem dá as cartas.
Senhor coveiro tome este trocado para o lanche, mas mantenha limpo este jazigo, cuide destas flores, pois voltarei em rotina para regá-las.


Segue o curso da vida e eu tenho outros filhos. E orgulhando-me ou não, enterro este meu pedaço que um dia esteve em meu ventre.
Desmembrada, mutilada, isso sim me define, a terra come a minha paz. Que um dia já perdida no balanço de um berço ou nas adolescentes madrugadas que pra casa não voltou mais.
Em meus braços o olho abriu, em meus braços o olho fechou. E se eu quem fosse ele seria órfão, mas se é o contrário, Sem Nome Pro Que Sou.



terça-feira, 7 de agosto de 2018

Calada |Parte 1|

1/3

Ele não me mentiu. Foi honesto com toda a situação. Mas eu amei, e prevalecia ali. Ainda que todo esse amor não fosse todo meu, me sobravam alguns pedaços pra janta.

Por amor eu paguei mensalmente cada parcela de culpa. Por amor permaneci, pois meu olhar não escapava do que de fato ele precisava. Por amor supri todas as brechas que aquela deixava.


Eu era omitida, abafada, silenciada, sorrindo calada. Só amei e ali fiquei, me bastavam as palavras de esperança n'outro destino a prometer. Cria sem os pés no chão, pois finalmente dispertara algo que em mim hibernava.

Não dei ouvidos aos conselhos e apesar de boa parte de meus anos já terem se passado, além dos dele também e até menos juventude lhe cabia, não me importei com o tempo que passava. Fiquei e me prometi lutar, e à minha disposição eu tinha todos tipos de armas. Quais eu usaria?

CONTINUA...


quarta-feira, 1 de agosto de 2018

3 Anos de M o n ó l o g u z



Nudez da poesia? Tanto em pranto, quanto em conto.
Tanto a minha, quanto a dele, e logo se
identificando, também a sua. À flor dessa pele
em arrepio, tão nua, quanto crua.
Tão exposta, como entrelinhada.
Tão espiada, quanto bem explícita.
E a 3 anos esta janela prevalece aberta,
Pr'um horizonte direcionado à arte do monologar
Sem distúrbio ou loucura, já que os melhores diálogos
São consigo mesmo. E nessa arte expressa,
O que se ecoa é a simples poesia na fuga pro eterno,
Longe do tão simplesmente mundo terreno e presente.
Pr'onde o espírito flutua, leve e puro, adentrando
Portas inimagináveis, negras ou radiantes,
Apenas com os olhos. E nisto consiste a Diversidade poética daqui.
Aos trancos e barrancos, com pausas ou sequências de poesia,
Pelo computador ou Smartphone, de uma lan house ou do vizinho,
Segue o Monóloguz! Fiel ao público, sem abandono,
Imprimindo cultura, poesia, contos e alguns até eróticos,
Mas acima de tudo compartilhando toda essa
Diversidade poética original. Aqui, óbvio que pedaços de mim,
Já que flui por meus dedos em lápis ou teclado,
Mas também fragmentos do que é ser humano e sentir.




Foto Por: 3ternize / Thay


Boa leitura...


domingo, 10 de junho de 2018

A fogueira, o chá e o cachecol

Não sei se é isso que quero,
preciso de distância pra enxergar,
de tempo pra decidir. Perto demais
pra ver as diferenças, muito às
pressas pra escolher. Preciso ver o
horizonte, sentir um pouco o vento
em meu rosto, você me faz suar. já,
já é inverno e o final do outono que
o antecede já castiga, mas preciso dele
para pensar. E se não for pra ser, que
me bastem a fogueira, o chá e o cachecol.



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Droga Velada

Foto por - @3ternize 

Droga é o açúcar
Droga é o café
Droga é o que se escuta
Droga é o que a sociedade é.

Droga é o governo e essa mídia
Droga na internet e na TV
Droga é a segurança e nossa polícia
Droga em tudo que se vê.

Droga demais legalizada, injetada
Grande quantidade, droga pesada
E todo o tipo de fanatismo.

Carga nova, droga é o preconceito
Droga é o que os presidentes têm feito
E todo o falso moralismo.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O Valor da Alma Barata

Quanto tempo levará pr'essa mágoa caducar?

E a guerra entre gratidão e orgulho, seu silêncio e o barulho, de um perdão a estardalhar.
Um conflito das somas com os prejuízos, dos momentos e dos erros indevidos, que vieram a ecoar.

Sua alma valia o veneno e quem o lhe servisse, teria em mãos seu valor pequeno, submetido, rendido, vendido, vulnerável capacho.
Mas neguei servir-te a toxina e montei banquete de rei, com trono em meus aposentos.

Mas pela sua alma paguei o preço, maldito apreço, que não tive condições de arcar. E em parcelas de anos com juros, dividi, pro débito quitar.

Quanto tempo levará pr'essa dívida caducar?









sexta-feira, 20 de abril de 2018

Limoções

Digamos que o Monóloguz não seja filho único, desse pai Universo Inspiração. Creio que muitos outros irmãos o Monóloguz tenha, mais velhos e caçulas, já que esse pai Universo Inspiração é tão infindo quanto fecundo.
Só é uma pena que a família não seja tão grande como eu esperava, pois neste século da contemporaneidade extinguem-se boa parte dos nossos pensadores.
Meu desejo é que nas décadas posteriores possamos nos multiplicar, mas se no presente eu não posso falar de quantidade, felizmente posso falar de qualidade! E como perfeito exemplo de qualidade, nosso irmão Limoções, que inclusive admira e esse mês homenageia nosso Monóloguz.
O Limoções compartilha de um conteúdo poético e um formato filosófico bem parecido com o Monóloguz, cheio de reflexões, poesias, pensamentos e muita arte. O que faz nos sentir menos sozinhos neste século. Obrigado Irmão!

 



segunda-feira, 16 de abril de 2018

M'esgota

E é assim sempre
Do nada vem
Sem que eu me lembre
Já não quero ninguém

Leva o que tenho
Suga meu desejo
Minhas mãos contenho
Mas vai além do beijo

Depois perco a vontade
De conhecer alguém
Que vá além da amizade

M'esgota quando acordo
De forma que refém
Mas regressa se transbordo.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Carta ao Suicídio

Depois de um suicídio já é tarde... Quantos fizeram seu papel? Não adianta o remorso do que não se foi feito pra reverter ou até do que se foi feito para ocasionar. Na verdade, quantos desfocaram do próprio umbigo para olhar pro próximo e quiçá notar alguma diferença que tenha ficado em evidência uma depressão. Às vezes nos achamos fortes o suficiente para não precisarmos do outro, ou fracos demais para cada um ser por si e se virar sozinho. Sinceramente foda-se isso quando o amor se desvai dos corações repletos de egoísmo. Quem sabe o essencial fosse tão simples que estivesse contido em gentileza ou cortesia. E ainda que crenças e religiões condenem o ato suicida, não nos pertence o malhete do juiz para julgar. Se foi fuga, coragem, fraqueza, egoísmo, já não importa mais. Se lâminas fizeram a vida escorrer, excesso de medicamento ou uma corda no pescoço, importa menos ainda. Não escrevo aqui para arrependimento ou culpa, que não levarão a lugar algum do passado, escrevo para a empatia, que sim, pode levar a algum lugar no presente que possa mudar um futuro.






terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Nessa fuga


E o que você fez? Fugiu?
Não teve forças? Se acovardou?
Deixou que escapasse das mãos
o próprio destino por uma falta
de ação e foi chorando pra casa.
Se vitimizou, e para si mesmo, pois
se quer expôs verdadeiramente o
que sentia.

Sem se pronunciar sobre, entrelinhar
ou quiçá num comentário subintender
o sentimento. Porém, se quer quis
jogar, tentar a sorte na aposta, usar
algumas cartas, não seria uma trapaça.
Até brigar também seria um manifesto
de sentimento.

Mas optou por omitir, escolheu se
proteger da suposta dor. Permitiu que
o amor que sentia decaísse como um
anjo rebelde que corrompe o coração.
Nem o mataste, nem coroaste, mas
criastes um inferno para que lá vivesse e o
arrastasse quando caísse no pecado de
amar de novo.

domingo, 19 de novembro de 2017

Solte-me

Não é por não sentir. Não é pelo tempo ou distância. Mas por que já gosto e tudo foi muito propício, como recíproco. Preciso que se aparte, preciso de mais disso que agora tenho. Não posso mergulhar agora, solte-me!
 
Me espere no meio, já lhe alcanço, acabei de vir de lá. Talvez até mesmo você também, só que ainda tens fôlego, eu não. Agora que minha pele secou e não sinto mais o frio, permita-me sentir um tanto o sol em meu rosto. Se quiser esperar.
 
Mas se não, também não tarde em ir, nem espere seu feromônio entranhar em meus edredons ou muito menos meu oufato ansiar você. Perdoe a cautela do automático, instinto de quem já se afogou ali, então seguremos o fôlego.
 
 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Modo Avião

Sem saber mais como agir
As palavras brutas, saltam da boca.
E bem mais fácil que as engolir
Discute até que a voz fique rouca.

Confusão, indisciplina, confete
Não mais viver com o coração.
Mantê-lo longe de tudo que o afete
Ligá-lo no modo avião.


Dentro não podes mais ver
Pra que nem você nem eu se fira.
Em preservativos nos contorcer
Uma automática relação de mentira.

Voar, pra lonjão ir, partir, sumir
Das turbulências, Pai, livrai-me.
Sapatos sujos de tanto o baile seguir
Perdi até meu telefone, estou offline.

domingo, 20 de agosto de 2017

Me pergunto

Se isso é um sinal do amor
Ou isca pra desilusão na verdade.
Se é um novo rancor,
Ou as novas portas da liberdade.

Quando vai começar a doer,

Se vai sarar o que está ferido?
Se o amor vai renascer,
Ou somente tempo perdido.



Avanço, arrisco, aposto?
Quem sabe doses de tempo,
Saber se amo, odeio ou gosto.


É inverno talvez, me esqueça

E me largue só, no relento,
Ou traga fogueira e aqueça.

sábado, 19 de agosto de 2017

Submetido


Não me dê pouco
Quão grande é a fome.
Grito mesmo rouco
E simplesmente some.

Migalhas, restos, sobras
Isto guarde para si.
Não sou de pedir esmolas
Apenas te quis aqui.

Crio esperança naquilo que diz
Meu alimento é mais
Muito mais que o concreto.

Inerte e cego como um aprendiz
Não me trate como tais
Nem muito menos objeto.


Pôr Fim

18/08/17.


Depois de fugir, depois de cativo

É sozinho que se recomeça.

Matar a saudade é o motivo

Duma velha dor que sempre regressa.

 

Enxergo hoje o que tu tinha antes

Não era amor que lhe faltava.

Segredos, brinquedos, amantes

Em casa o seu amor eu esperava. 

 

Você sabe, a culpa é minha

Deixe-me pôr um fim

Pago estas parcelas sozinha.

 

Sangrar essa lembrança, a memória

Um tiro, um rombo em mim

Mas por fim, pôr fim nessa história.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Garrafa de Desapego


Se não há opção
Deixe-me partir
É a única solução
Deixe-me ir.

Se nem estás perto
Para quê retorno?
Siga o caminho reto
Não gire em torno.

Tire os troncos do rio
Deixe-o livremente fluir
Desocupe-me, deixe-me vazio
Sem âncora posso em fim partir.

Quanto temos pra gastar na carteira
Prejuízo é devolver o coração
Cabe uma penteadeira
Mas resta só gratidão.


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Primeiramente venho saudar os leitores do Monóloguz e justificar o tempo sem postagem no blog.
Bom, meus poemas são manuscritos, e gosto de acumular alguns pra que eu possa postar em massa, além de alguns já escritos à algum tempo, terem de ser readaptados.
Como não sobrevivo da poesia, tive meu tempo livre pra escrever ocupado, além dos estudos, pois pretendo me formar em Filosofia. Também fiquei sem computador e não tive como atualizar o blog.
Não costumo escrever por escrever, gosto de inspiração, alegria, paz, e nem sempre a vida é colorida. Escrevo dor também, mas preferi esperar a boa fase pra novas postagens, gosto de fluir água doce.
A parte boa disso tudo é que a fase boa está decretada e mesmo pelo Android o Monóloguz vai ter poesia original e inédita!

sábado, 7 de janeiro de 2017

Camadas



Independente do meu estado, maioria 
de mim continuara sendo o mesmo eu 
apesar da mutação constante.
    Essa constante variação de mim 
mesmo. Descobrindo e redescobrindo-se
nestas milhares camadas, jamais 
vistas ou executadas, 
diferentemente por alguem.
    Fazendo questão, de alguma forma, 
que outra alma perceba, se unificando 
a transbordar, tocar, mudar e 
sim! Ter a livre coragem de amar.
    Uns já aprenderam a perceber essa 
tal bela presença, nova e renovável 
existência vivida por alguem. Mas sera? 
Talvez seja eu este ser a transbordar... 

Por: Jhonny Ribeiro

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Exceção

Há pessoas que respondem, com ingratidão
Outras, exercitam piamente o perdão
Há pessoas que se existem, finjo que não
Outras, já tem grande espaço no coração
Há pessoas que nem quero aproximação
Outras que eu já abro o meu portão.


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pra que continuar


Se o desejo não se ascende do mesmo jeito
Se a saudade não aperta tanto o peito
Se o ciúme é por posse e não medo da perda
Se têm se rasgado mais verbo que seda


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Soneto da lembrança

21/06/16.
Em busca de outras paisagens,
Já peguei aquela velha estrada.
Vou apagando suas imagens,
Até não restar mais nada.

Algumas das faces que vejo,
Pareço enxergar seus traços.
Seu cheiro de baunilha farejo,
Dentre os aleatórios abraços.

Abdicado, desintoxicando,
Com orgulho em recaída,
Me vejo de novo te procurando.

Na bipolaridade da incerteza,
Prolongando a mesma partida,
Aquela velha brasa ainda acesa.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Pedaços de mim

Se quer meu corpo, tome-o! Se pensa que negarei.
O tens infelizmente, mente, mas não terá minha mente.
Que é só minha, e breve além da mente, não terás o
coração contido neste corpo.

Sem coração, tanto fará pro corpo se aquecer ou
não em seus braços ou em outros. Após isso nada
mais poderá ser feito. Que siga o curso, assim seja!

Não remeto teus erros à minha santidade, pois tenho
minhas falhas, mas incomparáveis se postas ao lado
das tuas. Reprises e mais reprises da mesma cena, e
na boca aquele mesmo sabor amargo de fim, como
inferno eternamente revivido.



domingo, 5 de junho de 2016

Resquícios

Por ser a última que morre,
lágrima de esperança escorre.
Dos olhos ardidos avermelhados,
e os batimentos cardíacos desacelerados.

Vai demorar pr'eu tirar,
teus resquícios do quarto.
No fundo não quero me livrar,
das camisas, cuecas, sapato.


Cheguei e você já tinha ido,
Levou as coisas que restaram.
Por mais que já tivesse te perdido,
Resquícios de esperança ainda sobraram. 

Não quero tragos, quero tudo,
goladas contínuas, sem canudo.
O tamanho do amor insuficiente,
não perdoa, nem dá uma chance pra gente.

Esqueça tudo, me perdoe,
última chance por favor.
Por mais estranho que isso soe,
não fique por favor, mas por amor.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sigo também

08/05/16.
Adiantando os meus passos,
o novo caminho posso contemplar.
Aos poucos ocuparei os espaços,
pois o mundo não para de girar.

E girando o mundo posso ver,
os novos dias de novembro.
Renovando as paisagens do amanhecer,
dos dias cinzas nem me lembro.

Não julgue por me apressar,
desprender, desatar, desacoplar.
Mofando no quarto abri as janelas
e vi as latentes flores amarelas.

O perfume delas você já conhece,
mascarado em auréola, só omite.
Me permita também conhecer, esquece,
deste amor não terei mais apetite.